Todos sentimos o agridoce do final e começo do ano. Por um lado, a esperança de que seja um ano melhor que o anterior, o alívio com a possibilidade de poder começar de novo e, por outro, a pressão de rever as resoluções que passam de um ano para o outro, ano após ano.
Na verdade as promessas de final de ano como rito de passagem são uma tradição que remonta a mais de quatro mil anos atrás, mais praticada no mundo Ocidental que Oriental.
Muitos estudos têm sido feitos para avaliar o impacto das resoluções e promessas de final de ano ao nível da saúde mental e na concretização da mudança. Richard Wiseman da Universidade de Bristol mostrou que 88% daqueles que realizaram promessas de ano-novo falham, apesar do fato de que 52% dos participantes do estudo estivessem confiantes no sucesso no início do ano. Este insucesso, por sua vez, afeta diretamente a saúde mental ao nível da auto-estima, confiança, sensação de vergonha – “mais um ano e não consegui” – e alimenta a desesperança em geral.
São várias as justificações para a taxa de insucesso das resoluções de final de ano: normalmente não contemplam o processo, apenas o objetivo a cumprir, e a conversão da resolução em objetivo é pouco realista em termos de execução e tempo para o processo.
A proposta que trago para este final de mês de Janeiro é a de RESET. Vamos lá começar de novo, mas agora da forma mais realista. Comecemos por fazer uma auto-reflexão e só em seguida definimos a intenção para este ano. Uma abordagem mais materializável, que inclui mais compaixão e flexibilidade ao longo do ano e do processo.

Comecemos pela Auto-Reflexão:
Ao olhar para o futuro, considere primeiro o ano que passou e algumas das suas experiências. Pergunte a si mesmo e reflita sobre estas questões: Pense numa coisa de que esteja orgulhoso no ano passado; identifique algumas das suas realizações, grandes e pequenas; identifique alguns dos desafios que encontrou, como os superou; pergunte o que aprendeu sobre si esse ano e veja se desenvolveu algum interesse novo ou gosto/não gosto. Reflita sobre os seus valores mais importantes e se houve mudança de valores ao longo do ano. Como foram seus relacionamentos no ano passado? Precisa de trabalhar neles ou melhorá-los?
Agora defina as suas intenções:
Após fazer uma auto-reflexão, identifique algumas das suas áreas de crescimento ou coisas que gostaria de priorizar no próximo ano. Considere algumas das mudanças de comportamento pode precisar de fazer e crie um plano para ajudar a facilitar essas prioridades. Escreva as suas intenções como declarações afirmativas e, em seguida, coloque as ações que pode tomar para ser mais intencional.
Deixo alguns exemplos:
Intenção: Vou investir na minha saúde mental e tomar decisões que apoiem a minha saúde mental.
Ação: Vou cancelar planos quando me sentir mal e encontrar ferramentas que me ajudem a melhorar minha saúde mental.
Intenção: Vou priorizar minha saúde física e fortalecer meu corpo.
Ação: Vou encontrar uma atividade física que eu goste e criar uma rotina de exercícios regular e realista que funcione para mim.
Intenção: Vou me concentrar em construir e manter meus relacionamentos.
Ação: Vou entrar em contato com meus entes queridos com mais frequência e reservar tempo para ver as pessoas que são importantes para mim.
Por fim, faça um mapa visual com as intenções que definiu para o seu ano, procure imagens que represente cada uma e cole-as num mapa visível em sua casa, de modo a poder lembrá-lo de seu compromisso com o crescimento. Leia-as
diariamente, de preferência antes de começar o dia.
Agora sim, boas Intenções para 2024.
Texto escrito pela Psicóloga Clínica Maria Palha
IG: @mariapalha_psicologa
SITE: http://www.behuman.org.pt
Contacto: mpalha@behuman.org.pt


Deixe um comentário