Conto com alguns ‘exes’ no currículo. A minha vida amorosa não tem sido um exemplo de linearidade e do ‘viveram felizes para sempre’. É algo mais do estilo ‘viveram felizes até deixarem de viver felizes’. Tenho vindo a reunir alguns insights pessoais sobre o que os meus antigos relacionamentos me ensinaram. Deixo-os aqui sem serem mais do que isso: reflexões sobre onde estas experiências me levaram dentro de mim,
- O problema não és tu, sou eu.
Tanto que se brinca com esta frase chavão. Pois eu acho que se aplica totalmente ao momento ‘dramático’ de colocar um ponto final a uma relação. Tanto faz se somos nós ou o outro a dar esse passo. O problema com aquela relação é efetivamente nosso, não do outro para quem está tudo bem ou que ainda tem esperança de resolver as coisas.
Podemos, claro, optar por justificar de outra forma o final da relação: egoísmo, egocentrismo, traição, não me ouves, não me dás valor… Mas seja lá o que for, é quem termina que decide que não quer continuar com aquela relação, que já não o faz feliz. Em que medida é que o outro pode ser o problema? O outro sempre foi o que foi, ninguém se transforma num ‘monstro’ a meio da relação. Se é ‘monstro’, foi sempre monstro. Não ficou egoísta, ciumento, autocentrado do dia para a noite. Nós é que na fase da paixão escolhermos consciente ou inconsciente não ver o que estava ali, à nossa frente. Projetámos, desejámos, correu mal e depois acusamos o outro de ter a culpa. Culpa de ser como sempre foi.
2. Não há amor como o primeiro.
Verdade. Ou como o segundo. Ou como o terceiro. E porque não o quarto? A nossa capacidade de enamoramento não é finita, não é igual, da mesma maneira que não somos os mesmos aos 15, 20 ou 40 ou 50 (Graças a Deus!). E também não nos apaixonamos da mesma maneira. Umas vezes é um relâmpago que nos cai em cima e não conseguimos parar de pensar na pessoa. Outras uma corrente elétrica pelo corpo todo e não paramos de querer ter sexo com a pessoa. Outras um crescendo de momentos que nos faz chegar a esse ponto em que não conseguimos estar um dia sem conversar com a pessoa. Como dizia o outro, não nos banhamos duas vezes nas águas do mesmo rio. Mas o rio continua a correr e o nosso instinto é sempre mergulhar.
3.Projetos a dois sim, mas…
Nada de errado com projetos a dois. Adoro projetos a dois. Vamos viajar, vamos viver juntos, vamos ter filhos, vamos ser nómadas digitais…. Só que antes, muito antes, de um projeto a dois, tem de vir o projeto a um. Se o nosso projeto pessoal não estiver consolidado, o projeto a dois torna-se a nossa muleta e na verdade andamos a toque de caixa do projeto do outro. Dos amigos do outro. Dos interesses do outro. E há sempre um dia em que pode dar para o torto. Por isso, convém termos algo só nosso. Só naquela, não vá o Diabo tecê-las…
4. Vítima de quê?
Aprendi que não tenho mesmo pachorra para a conversa da vítima. As mulheres são muito ágeis a vestir essa pele. É normal. A vida não foi fácil para nós durante séculos e séculos de história. Mas já chega. O outro só tem poder de nos fazer mal (emocional, não fisicamente falando) na medida em que nós lhe damos esse poder. Somos nós que decidimos colocar-nos ou não no papel de vítima. Arrastar-nos em queixas do outro, acusações ao outro, porque não deixa de existir algum conforto nessa posição. Se formos vítimas, é mais fácil acreditar que são os outros que nos podem salvar. Só nós nos podemos salvar a nós mesmos.
5. Deixar ir.
Não guardo rancor de nenhum dos meus ex relacionamentos. Para quê? Com cada um vivi experiências únicas. Aprendi, cresci, errei, voltei a errar, e voltei a acertar. Se não deu certo, era porque era o melhor ao final de contas. Ninguém quer estar infeliz numa relação. Ninguém (bom da cabeça) quer que o outro esteja infeliz numa relação. Por isso foi o que tinha de ser. Nem mais, nem menos. Sejam felizes meus amores.
6. Não olhar para mim como se fosse uma falhada.
Há relações que duram uma vida inteira. Há relações que duram um dia – alguém viu ‘Antes de Amanhecer’’? Há relações que são com as ondas do mar, veem e voltam e nunca desaparecem completamente. Aprendi a não me tornar escrava do conceito da ‘relação para a vida toda’. Cada relação valeu a pena até ao momento em que deixou de valer. Mas não podemos julgar o valor das coisas pela forma como começaram, mas sim por tudo que nos deram até ao momento em que terminaram.
7. A saber quando lutar… e quando desistir
Desafios todas as relações têm. Dois seres humanos têm a sua dinâmica própria, a sua vida a desenrolar-se com altos e baixos. Muitas vezes continuamos a gostar daquela pessoa, mesmo quando as coisas não são cor-de-rosa. E ela continua a gostar de nós. E ainda há espaço para conversar, sem gritos e acusações. De tentar limar arestas, ultrapassar. Não desistimos. E depois há aquele momento em que se atravessa uma linha. E nós, interiormente, sabemos qual é. Aquela linha do não retorno. Em que se dizem coisas e se fazem coisas que não vamos conseguir esquecer. Quando sabemos que já não amamos aquela pessoa, quando o desrespeito se instala, quando não há vontade mútua de ultrapassar. É altura de desistir.
8. Ninguém muda por amor
As pessoas mudam porque querem mudar, ponto. O amor muito pode ser um incentivo, como quando o médico nos diz ‘ou muda a dieta ou vai ter um AVC daqui a seis meses’. Mudar é difícil e por vezes precisamos desses estímulos exteriores para nos mantermos focados. Porém, se não existir vontade de operar essa mudança à priori, o amor não conta para nada. Quando muito, faz-se uma mudança cosmética e depois um dia a maquilhagem sai com a água.
9. Ou é um ‘plus’ ou vai-te embora
Uma relação não pode dar sentido a uma vida. Não pode ser o foco de luz para onde direcionamos o nosso olhar, sempre à espera ‘daquela pessoa’, qual rei Dom Sebastião a surgir numa manhã de nevoeiro. Não podemos achar que não somos felizes até encontrarmos a ‘tal’ pessoa que tem consigo a chave do sentido da nossa vida. A relação tem de ser ‘plus’ numa< existência que vale só por si. Algo que nos faz ainda mais felizes.. Mas sempre, sempre, acrescentar algo, nunca retirar nem lançar sombras sobre a nossa paz de espírito, as nossas realizações, os nossos amigos, as nossas fundações.
10. One day at the time
Depois de se ter passado por várias rupturas, aprendemos a não criar expetativas e tentamos não esperar o que o outro não nos pode dar. Um dia de cada vez. O barómetro? Ele(a) faz-me feliz? E logo se vê a resposta.


Deixe um comentário