A história da Coreia do Sul é obviamente indissociável da do seu vizinho do Norte. Os dois irmãos inimigos separaram-se durante a sangrenta Guerra da Coreia e até hoje não fizeram as pazes. No final da guerra em 1953, a Coreia do Sul era um dos países mais pobres do mundo e 30% dos coreanos eram analfabetos.
Nos anos seguintes, o país conheceu um desenvolvimento espetacular até se tornar um dos quatro dragões asiáticos ao lado de Singapura, Hong Kong, e Taiwan. Esse sucesso é atribuído a uma Educação levada ao extrema, e a um sistema de trabalho focado na excelência e no compromisso de cada cidadão.

Hoje, a cultura coreana explodiu. As suas séries de TV conquistaram o mundo, K-drama, assim como a música, com o sucesso do K-pop, sem esquecer o cinema sul-coreano, o taekwondo e, obviamente, a gastronomia. Este fenómeno, tem um nome: Hallyu, ou Onda Coreana, que foi reconhecida como uma forma de soft power e como uma importante alavanca económica para a Coreia do Sul, gerando receitas através das exportações e atraindo cada vez mais turistas, principalmente a Seul, a capital.
É lá que vos levo hoje!
Seul é uma cidade agitada e moderna que não o deixará indiferente, é uma cidade fascinante que atravessa séculos, onde as tradições e a modernidade coexistem harmoniosamente, com os seus palácios e bairros históricos, arranha-céus futuristas, mercados movimentados, ruas comercias e modernas e, obviamente, uma gastronomia deliciosa. A capital sul-coreana oferece uma infinidade de experiências para os viajantes de todas as idades.
O Palácio Gyeongbokgung
Servindo como a principal residência real, o Palácio Gyeongbokgung é o centro da vida política e cultural da nação. O palácio era a casa dos reis coreanos, a sede do governo e um local onde se realizavam muitas cerimónias importantes. A escolha do local na zona norte de Seul não foi por acaso. Foi orientado pelos princípios da geomancia, ou pungsu.

Nessa época, o pungsu era considerado uma filosofia séria e importante. Quer se trate de um indivíduo ou de um coletivo, de um único edifício ou de uma cidade inteira, os princípios da geomancia sempre tiveram de ser respeitados. Acreditava-se que este alinhamento iria trazer prosperidade e boa fortuna à nação. Um pouco como o feng shui na China.
Visitar o palácio dar-lhe-á uma visão mais aprofundada da história e das tradições do país. Outra coisa sobre o palácio coreano que deixa uma forte impressão é a arquitetura tradicional que se vê tendo como tela de fundo a moderna cidade de Seul. Ao entrar no recinto do palácio, sentirá como se tivesse viajado no tempo, mas ainda estivesse no coração da capital. Podem alugar um hanbok, o traje tradicional para passear pelos jardins do Palácio.

Bukchon Hanok village
Situada entre os principais palácios da cidade, Bukchon Hanok Village é uma área em Seul que alberga centenas de pitorescas casas tradicionais coreanas, ou hanoks, que mostram como a vida na cidade costumava ser cerca de 600 anos atrás, durante a dinastia Joseon.
Bukchon significa “aldeia do norte” e hanoks são casas tradicionais coreanas com telhados de telha. Aqui, estão maravilhosamente preservadas.

A área é um labirinto montanhoso de ruas estreitas sinuosas, com casas pitorescas, lojas modernas e cafés estéticos, museus e locais de interesse cultural. Há sempre algo surpreendente a cada esquina!
Ikseon-dong
O bairro é um dos mais antigos de Seul, pelo que a maioria dos edifícios são mais uma vez hanoks. Os artistas e designers de moda foram os criadores originais por detrás da magia de Ikseon-dong em 2013. Encontrará várias galerias de arte abertas ao público e uma série de boutiques chiques com as últimas tendências.

Dito isto, uma influência moderna é aparente nos cafés, restaurantes, lojas de roupa dignas do Instagram. Ikseon-dong capta a mistura intrigante de conceitos antigos e novos a fundirem-se de formas inesperadas. Esta é uma das coisas que mais me intriga em Seul. A atmosfera no meio destes becos com todos estes Hanoks é simplesmente fantástica, e a cultura do café por si só é motivo suficiente para visitar Ikseon-dong!

Iwha Village
Abaixo da Fortaleza de Naksan, Ihwa-dong, outrora um bairro tranquilo, transformou-se numa aldeia de street art.
Esta área era vista como uma favela após a Guerra da Coreia e estava planeada para demolição. Em 2006, os artistas locais participaram na renovação da aldeia para trazer de volta o sentido de comunidade que tinha perdido. O projeto foi um grande sucesso, atraindo cada vez mais turistas para conhecer a zona.
Com murais pintados por todos os becos, deixe-se perder enquanto explora a aldeia. Ao subir as escadas, não se esqueça de se virar e apreciar a vista panorâmica de Seul. Embora as escadinhas sejam difíceis de percorrer, existem muitos murais e esculturas coloridas que tornam esta aldeia divertida de explorar a pé. Além disso, o bairro foi utilizado em muitas filmagens, por isso, se é fã de K-drama, pode reconhecer algumas das artes!
Os bairros comerciais de Hondae e Myeongdong
Myeongdong é conhecida como a Time Square coreana pela sua atmosfera agitada. A área oferece uma grande variedade de lojas e restaurantes e, acima de tudo, lojas de cosméticos.
A K-beauty não é apenas uma tendência que apareceu do nada no Tik-Tok! É uma filosofia. A saúde da pele é uma prioridade para os coreanos, homens e mulheres. Os cuidados com a pele são frequentemente vistos como uma parte essencial do autocuidado, uma forma de demonstrar amor e respeito para si mesmo.
O bairro de Hongdae é frequentado por um público mais jovem. A sua grande rua comercial está repleta de restaurantes que oferecem cozinha coreana e internacional, assim como bares, cafés e as famosas cabines fotográficas – não importa se procura uma selfie incrível ou uma bela fotografia de grupo, existe uma grande variedade de adereços ou de cenários a escolha! Pode até ser fotografado com a sua banda de K-Pop favorita!
Gangnam
Em 2012, o mundo descobriu a Coreia depois do sucesso interplanetário de Gangnam Style. Gangnam é um distrito em Seul que ganhou fama mundial com o lançamento do êxito de Psy. Conhecida pela sua atmosfera sofisticada, lojas luxuosas, vida noturna vibrante e uma mistura de cultura tradicional e moderna, Gangnam é, e sempre foi, um símbolo da dinâmica vida urbana de Seul.
Bukhansan National Park
Sabia que caminhar é um dos principais passatempos na Coreia do Sul? Isto porque o país alberga muitos parques nacionais maravilhosos. Um deles, Bukhansan, fica a menos de uma hora de Seul e é facilmente acessível por transportes públicos. Isto significa que se pode desfrutar de uma curta ou longa caminhada neste parque incrível para apreciar a natureza e fugir da selva urbana e dos arranha-céus.

Gwangjang Market
Um dos maiores prazeres de viajar é descobrir a gastronomia do país que está a explorar. A cozinha coreana não carece de sabores e surpresas. O Mercado Gwangjang é um mercado tradicional coreano e o mais antigo. Tornou-se muito popular como local gastronómico devido a uma das suas bancas de comida aparecer no documentário Street Food da Netflix.

O Mercado de Gwangjang é uma das melhores experiências que pode ter em Seul. É um lugar onde a tradição, a cultura e as deliciosas street food coreanas se encontram num mercado animado e colorido no coração da cidade.
DMZ
Deve saber que este No Man’s Land, chamada Zona Desmilitarizada (DMZ), é um lugar estranho que poderia ser descrito como tudo menos desmilitarizado! De facto, esta faixa de quatro quilómetros de largura e que atravessa a Coreia de oeste para leste está salpicada de muralhas, túneis, torres de vigia, arame farpado, no centro de um deserto cheio de minas!
A DMZ foi criada como parte do Acordo de Armistício Coreano que pôs fim à Guerra da Coreia em 1953. Separa a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, cortando a península coreana aproximadamente ao meio. A DMZ é uma das atrações turísticas mais populares da Ásia e é também a fronteira mais armada do mundo. Todos os jovens saudáveis na Coreia do Sul têm de servir dois anos no exército. Muitos deles são aqui destacados para patrulhar a DMZ e as áreas vizinhas. Surpreendentemente, é fácil entrar na DMZ perto de Panmunjeom, desde que faça parte de uma excursão. Panmunjeom é famosa por três pequenas barracas azuis onde se realizam conversas de alto nível entre as duas Coreias.
Desde a visita do presidente sul-coreano ao seu homólogo norte-coreano, a Guerra Fria parece ter dado tréguas. Os altifalantes gigantes instalados pelo Norte ao longo da fronteira, que despejavam torrentes de ameaças e insultos contra o Sul, são menos frequentes, assim como os confrontos diários entre os dois exércitos. Mas o regime norte-coreano continua lá e a tensão é opressiva.

Atenção: existem agora muitos postos de controlo e, se não fizer parte de uma excursão organizada, terá de apresentar o seu passaporte. Pergunte sempre antes de filmar ou fotografar porque há uma certa paranoia nesta zona de “guerra fria” com os turistas a passear!…
Seul é uma capital fascinante onde a tradição se mistura perfeitamente com a tecnologia de ponta e esta metrópole movimentada surgiu como um dos principais destinos para os viajantes exigentes. É um lugar seguro, com gastronomia exótica, arquitetura futurista, parques naturais acessíveis, e muito mais!
Hoje em dia, a Coreia do Sul está entre as economias mais poderosas do mundo. Contudo, por detrás desta aparência de prosperidade existe uma triste realidade.
O país detém o triste recorde da maior taxa de suicídio do mundo. Educação ultra-selectiva, competição profissional permanente, culto da riqueza, da aparência, a Coreia do Sul parece nunca ficar sem ideias para apertar ainda mais o controlo social da sua população. Os sul-coreanos enfrentam uma pressão diária esmagadora, seja na busca do sucesso profissional ou simplesmente para sobreviver com recursos limitados. Os jovens estão a escolher o exílio em massa para escapar à pressão insuportável imposta pelo governo.
A Coreia do Sul atingiu o seu objetivo: tornar-se rica e poderosa.
Mas esta corrida frenética pode muito bem desequilibrar a demografia do país nos próximos anos.

Uma crónica de Ely Pinto, fotógrafa, contadora de histórias em imagens
Instagram: ely_inwonderland


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