A organização abriu-me muitas portas e janelas. Sobretudo na forma como me ensinou a olhar para o meu dia-a-dia. E começo mesmo por esta expressão “dia-a-dia”, que é como quem diz “um dia após o outro”. É aí que construímos a nossa vida, bem no miolo dos nossos dias.
Não são os dias especiais que a definem. Não são as férias incríveis. Esses dias, momentos extraordinários, são a cereja no topo do bolo. São memórias inesquecíveis para onde voltamos com alegria (e nostalgia), mas não são os restantes 300 dias de cada ano.
A primeira pergunta que a organização me trouxe foi “como queres viver cada dia da tua vida?” e eu respondi, sem hesitar, LEVE e INTEIRA. Percebi que queria que cada dia contasse muito. Quer pela paz, alegria, simplicidade ou tristeza que com ele chegassem. E esta foi a minha primeira escolha consciente: posso não escolher a emoção (ou emoções) com que vou viver cada novo dia, mas posso escolher estar inteira e permitir-me ser leve enquanto o navego.
A segunda pergunta foi “o que podes fazer hoje para que seja mais simples sentires essa leveza e essa conexão?” Olhei à minha volta e percebi que o que me rodeia e quem me rodeia têm um impacto forte na forma como vivo. E decidi começar a prestar-lhes real atenção. Essa atenção ainda hoje requer coragem para me confrontar com cada escolha que me trouxe até aqui. E com toda a vulnerabilidade que habita em mim, vos digo que se acredito que “tudo está certo, onde e como deve estar”, também sinto que fiz (e faço) muitas escolhas de alma apagada. Sem me escutar. Sem me dar tempo.
É preciso querer, profundamente, viver em paz. E viver num ambiente que me transmite serenidade, que espelha quem realmente sou, pede-me que esteja atenta a todas as minhas escolhas, na maior parte dos meus dias, acolhendo aqueles em que o cansaço e o “não quero saber” ganham. Nesses, as coisas ficam espalhadas e muitas decisões são automáticas.
É uma escolha que me desafia, permanentemente, a saber quem sou e a colocar-me em primeiro lugar, quando tudo à minha volta pede a minha atenção. Num mundo ideal, todos nós escolheríamos viver uma vida cheia de significado, numa casa feliz, onde só habitam peças que nos fazem sentir bem, e com as melhores pessoas a colorirem os nossos dias. Porque não o fazemos? Porque nos desconectámos de quem realmente somos e optámos, enquanto sociedade, a viver para o exterior, à procura de amor e aceitação de fora para dentro.
Hoje sei que organizar a minha vida (onde incluo a casa, relações, profissão, alimentação…) é viver um estilo de vida em que eu escolho, conscientemente, cuidar de mim, em busca do amor. Demorei 42 anos a chegar a querer começar a largar a “pele” que não era minha. Sei que vou passar o resto da vida nesta construção, mas quando me deito à noite e sinto que “esta foi a vida que eu escolhi”, sinto-me uma artista a pintar o seu quadro.
Para uns, organizar será já algo inegociável. Para outros será ainda uma obrigação. Organizar é reaprender a escolher. Todos o sabemos fazer e todos o merecemos. Cada um no seu tempo.
Rita Carvalho de Matos

Aos 42 anos, propôs-se a um “life redesign”: deu o maior salto de fé da sua vida, mudou radicalmente de rumo e criou o seu próprio negócio. Tornou-se numa das primeiras Consultoras de Organização Portuguesas formada pela guru japonesa Marie Kondo. As mais de 800 horas de sessões de Organização em casa de famílias portuguesas, levaram-na a criar o conceito de Organização Intencional. Criou, de raiz um curso online, presente na plataforma Kologica, e é autora de diversos artigos. Em 2021, juntou à Organização, de forma natural, a jornada da Felicidade, focando-se na Felicidade Corporativa, sendo formadora e gestora da comunidade na Happiness Business School.


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