A primeira vez que o Jean me falou numa crónica de viagem para o seu blog, achei a ideia maravilhosa. O Jean tem sempre milhares de ideias que lhe passam pela cabeça, o que o torna um pessoa bastante criativa e interessante, sempre em busca de se reinventar. É uma pessoa muito inspiradora para mim. Mas, quando percebi que queria que fosse eu a escrever os artigos… Confesso que entrei um pouco em pânico. Primeiro, porque não me sinto com legitimidade para o fazer; não estudei em Portugal e achei que seria muito difícil para mim, sobretudo por falta de vocabulário adequado. Nesse dia, fui para casa e aquela ideia começou a amadurecer.
Se o Jean pensa que posso, então tenho que tentar, pensei eu. Achei que seria um bom desafio para mim.
Custa-me expressar-me por palavras. Prefiro as imagens. No words needed!

Este novo projeto, vejo-o como algo que posso explorar. Um mergulho no fundo do meu ser!
Tal como com as imagens, o facto de escrever torna-nos muito vulneráveis, porque sabemos que vamos ser julgados. Expormo-nos, custa. Mas acho que ao mesmo tempo esta experiência pode tornar-nos mais fortes.
Como me poderia descrever?
Sou uma pessoa curiosa, espontânea, alegre, dinâmica. Sou um cameleão: adapto-me às situações, na verdade. O que é importante, quando se viaja, porque surgem sempre imprevistos para os quais não estamos minimamente preparados.
Sou um patchwork dos lugares onde vou, das comidas que provo, das músicas que ouço e dos encontros que tenho. Gosto de sentir que todos os meus sentidos estão em alerta e que são estimulados.

Comecei a tirar fotos porque, de alguma forma, queria partilhar o que os meus olhos viam. A beleza que nos rodeia, as cores, as luzes. Somos todos os dias bombardeados de noticias negativas, de dramas e de tragédias. As redes sociais agravam essa tendência, tornando tudo aquilo muito normal. Quis mostrar que, apesar das dificuldades, apesar dos dias menos bons, existem lugares e pessoas incríveis.
Uma fotografia carrega em si luz e sombra, som e silêncio, alegria e tristeza, amor e ódio, cheiro e sabor. Uma fotografia é feita de pedaços de vida que vivemos, vida que imaginámos, instantes que guardámos na memória. Esta emoção, procuro-a e, por vezes, encontro-a numa viagem.
Viajo e fotografo à descoberta de quem somos. Tento perceber a diversidade que nos deveria unir, mas que nos afasta e quase sempre nos separa. Faço retratos de rua, espontâneos, imperfeitos, mas únicos. Surgem inesperadamente. É algo indescritível. Atrai-me! Um momento, um sentimento que vem do outro, de alguém que não conhecemos e que nunca iremos voltar a ver. Ou será que queremos captar a imagem de quem fomos naquele preciso momento?
Comecei a viajar com vinte anos. Depois de ter tirado um curso de turismo em Paris, e com umas pequenas poupanças, decidi viver uns meses no Reino Unido para trabalhar e melhorar o meu inglês. Quando regressei a Paris, candidatei-me para tripulação de cabine, numa grande companhia aérea. E fiquei. Em 2009, decidi lançar a minha âncora em Lisboa. Entre duas viagens, é aqui que está o meu lar, o meu refugio.
Sinto que nasci para isto. Sinto-me muito bem com o que faço, aqui e na vida em geral.
Já dei umas quantas voltas ao mundo. Já pisei muitos países, e não me canso de continuar a conhecer novos. Este modo de vida atípico levanta questões. No entanto, sinto que estou onde realmente tenho que estar.
Crónica de Ely Pinto
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Ely Pinto, Fotógrafa “Viajo e fotografo à descoberta de quem somos. Tento perceber a diversidade que nos deveria unir, mas que nos afasta e quase sempre nos separa. Faço retratos de rua, espontâneos, imperfeitos mas únicos. Surgem inesperadamente. É algo indescritível. Atrai-me! Um momento, um sentimento que vem do outro, de alguém que não conhecemos e que nunca iremos voltar a ver. Ou será que queremos captar a imagem de quem fomos naquele preciso momento?”



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