Dia Mundial do Ambiente: o que o Slow Living ensina sobre cuidar do Planeta

Quando estamos presentes, percebemos melhor o que realmente precisamos, evitamos excessos e valorizamos a simplicidade.

No Dia Mundial do Ambiente, que se assinala a 5 de junho, mais do que nunca, somos convidados a refletir sobre o impacto das nossas escolhas quotidianas. A sustentabilidade não acontece apenas através de políticas públicas ou inovações tecnológicas. Começa, muitas vezes, no ritmo com que vivemos. O movimento Slow Living, ao propor um modo de vida mais consciente e intencional, oferece uma alternativa coerente e sustentável ao modelo acelerado que domina a sociedade contemporânea.

A aceleração como causa ambiental

A velocidade com que consumimos, nos deslocamos e tomamos decisões está diretamente ligada a padrões de produção e descarte com elevado custo ambiental. O modelo atual promove o uso excessivo de recursos naturais, o desperdício e a degradação ambiental.

Segundo um estudo publicado na revista Nature Sustainability (2020), o aumento do consumo global nos últimos 30 anos tem sido um dos principais fatores de pressão sobre os ecossistemas terrestres e marinhos, mesmo quando ocorrem avanços tecnológicos na eficiência energética.

Este modelo acelerado também afasta as pessoas da Natureza. Uma pesquisa da Universidade de Derby (2021) mostra que o contacto regular com ambientes naturais está associado a maiores níveis de comportamentos sustentáveis. Quando estamos desconectados da natureza, é menos provável que nos preocupemos com a sua preservação.

O Slow Living como prática ambiental

O Slow Living propõe uma reconexão com o tempo, com os ritmos naturais e com o espaço que habitamos. Essa abordagem tem implicações diretas sobre o nosso impacto ambiental.

  • Alimentação local e sazonal: consumir produtos cultivados localmente e em época reduz as emissões associadas ao transporte e à produção intensiva. A FAO estima que cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado. Viver com mais atenção à origem e ao aproveitamento dos alimentos ajuda a contrariar essa tendência.
  • Consumo com intenção: optar por comprar menos e melhor, valorizando durabilidade, qualidade e ética de produção. Estudos da Ellen MacArthur Foundation indicam que a economia circular, baseada na redução, reutilização e regeneração, pode reduzir significativamente as emissões globais de carbono.
  • Uso consciente dos recursos: práticas como reutilizar, reparar e prolongar o ciclo de vida dos objetos reduzem a pressão sobre os sistemas de extração e produção.
  • Tempo na Natureza: criar espaço na rotina para o contacto com ambientes naturais reforça não apenas o bem-estar pessoal, mas também o compromisso com a sua preservação.

Sustentabilidade como estado de presença

Viver devagar não é apenas reduzir o ritmo, mas aprender a observar. Quando estamos presentes, percebemos melhor o que realmente precisamos, evitamos excessos e valorizamos a simplicidade. Isso traduz-se em escolhas mais alinhadas com os limites do planeta.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Environmental Psychology (2018), práticas de atenção plena (Mindfulness) estão associadas a um aumento dos comportamentos sustentáveis, como o uso reduzido de plástico e o consumo responsável. A lentidão, neste contexto, é uma forma de resistência ao desperdício, à pressa e à desconexão. É também uma maneira de transformar o cuidado pessoal em cuidado ambiental.

Viver devagar como forma de compromisso

Num tempo em que as respostas à crise ambiental parecem complexas e distantes, o Slow Living oferece uma abordagem acessível: começar por mudar a forma como vivemos o dia a dia. Essa mudança, ainda que individual, é profunda e cumulativa.

Como afirma o filósofo e ambientalista David Orr, “a crise ambiental é, em última análise, uma crise de caráter, cultura e consciência”. O Slow Living atua precisamente nesses domínios, cultivando uma vida mais simples, mais sensível e mais comprometida com o Planeta.

Neste Dia Mundial do Ambiente, o convite é claro: abrandar não é desistir, é escolher viver com mais intenção, menos impacto e maior ligação com a Natureza.